A música e o sofrimento
Requerer ao próprio, que te satisfaz em momentos solenes da vida lhe atribui ao novo e desafiador, entrando em colapso ao que se diz inquieto e no que se sente em desajuste com o estágio que procuras nivelarem ao conforto. Conforto que lhe é conveniente, porém que exige responsabilidades, incumbindo-te a refratarem-se em pontos que lhe espelharão novas imagens, muitas delas monstruosas, maligna em face, robusta e feroz como a mais temível das criaturas, repercutindo no seu íntimo. E ao soprar nos teus olhos a brasa que te fere, manifestando a dor lhe fazendo enxergar o que nunca tinhas notado, percebendo então que negligencia com freqüência a visão que possui, onde a retina ao captar as impressões luminosas de uma mata escura, a qual vive emergindo-o frente a frente com seus medos mais sutis, levando em conta que apesar de não sermos mais criança o “bicho-papão” só mudou de face.
O medo está tão presente no nosso dia a dia que ficamos cada vez mais racionais. Pode parecer estranho, mas uma racionalidade excessiva requer equilíbrio, e tal excesso se dá devido o outro lado da moeda ter ampla e constate repressão, devido algum trauma vivido, seja este leve, moderado ou grave, e que surte dor quando liberto.
Vamos definir o medo: O medo evidencia-se quando nossas mãos suam, tremem, nosso coração dispara, rangemos os dentes, arregalamos os olhos. Isto tudo porque nosso cérebro processa com fidelidade, as informações que filogenicamente e ontogenicamente se acumularam em nossa carga cultural e genética, nos condicionando com o passar da evolução ao extinto e ideal de sobrevivência. Sendo assim, hoje uma palavra pode ser causa de alguma morte ou uma depressão, onde o acúmulo de conhecimento e incessante criatividade nos incitaram a criar novos ideais de sobrevivência, transformando o galho do homem primata que podia agredir e impor sobre o grupo relativo poder, demonstrando hoje que este mesmo galho ameaçador se transformou em paradigmas, incessantes aos padrões de postura, a qual simboliza o que é certo e o que é errado, estruturando um ego coletivo afiado pela pedra do orgulho. Podendo assim constatar que o medo é viver o passado aguardando o futuro, se distanciando cada vez mais do presente, isto é, na ânsia do que pode vir a ser devido já ter sido, o que é passa já não ser mais. E assim surge o sofrimento.
Porém o homem que buscou pela sabedoria decodificou os ramos que nos permitiram visualizar como somos próximos da natureza, utilizando do conhecimento e da criatividade para vivificar em construção os padrões de unificação do ser ao ambiente e alma que lhe constrói, contatando assim a causa que lhe compõe, como espalhar-se às suas origens visualizando frente a frente seu eu mais antigo e verdadeiro, sem a intervenção de uma cultura adquirida, e sim uma cultura latente e singular, a qual é o principio ativo peculiar na atmosfera do som e da musicalidade. Musicalidade que canta nossas dores e nos diz onde estão nossas alegrias.
Pesquisas mostram que quando ouvimos determinadas músicas temos certos tipos diferenciados de reações, umas deixam eufóricas, outras tensas. É bem relativo, porém é bem fiel ao nosso tempo mental, dizendo como estamos agitados mentalmente ao nos irritarmos com uma música com o cadenciamento lento, por exemplo, ou como estamos vulneráveis ao nos relacionarmos como uma batida rápida de rock´n´roll ao acharmos irritante respectiva rítmica. O que se conclui, é que cada um tem seu tempo e que a música nos diz qual é o nosso.
Agora um exemplo peculiar é quando vivenciamos uma determinada música que foi marcante em uma determinada época da vida, e que por acaso nos fez sofrer, e hoje ao ouvi-la temos as mesmas reações corporais e mentais que antes, nos vindo às mesmas sensações, e que temos medo de ouvi-la com receio de viver tudo de novo. Se esta com medo ouça mesmo assim, pois a música como amiga nos diz que ainda não superamos ou amadurecemos mediante a situação do passado, pois em contato com ela, nos possibilitou diante vários sentidos, além dos patamares da memória e do sentimento perceber que ainda vivemos no passado.
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