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Quinta-Feira, 04 de Dezembro de 2008

Nota de um Musicoterapeuta

Autor: 
Júlio Pucci

É necessário reconhecer as dores que nos cercam em período de movimento, muitas vezes ocultadas e escondidas no patamar da vaidade, a qual acolhe o medo e é acalentado pelo ruidoso orgulho. Muitas das vezes pensamos “porque eu não fiz isto, ou acabei fazendo algo que normalmente não faria”? A consciência é a nossa mãe e nós somos filhos fiéis, pois apesar de negarmos mediante o outro ou a nós mesmo o real efeito de algum acontecimento o qual por vezes inserimos, mostra-nos mesmo que não seja pelo pensamento, mas por outras vias do nosso composto físico (batedeira cardíaca, frio na barriga, suor excessivo, ranger dos dentes, pressão sanguínea e etc), como realmente lidamos com determinada situação. Visualizando tal hipótese sem querer referir-me a uma verdade absoluta, ínsito e sublinho através destas palavras que a normalidade não pode ser vista como uma referência externa e nem a loucura, mas sim como procuramos lidar com o ambiente ao qual nos inserimos e procuramos nos integrar, pois em sintonia com as circunstancias a loucura é irmã do normal.

No decorrer deste ano observei no fazer musical das crianças uma ansiedade muito próxima a do adulto, isto é levando em conta que o adulto na maioria das vezes está com pressa, e reflete isto no trabalho, em uma relação familiar onde se acaba afastando das pessoas que no passado tinha planos para uma aproximação saudável, e por intensa ansiedade, na busca desorganizada e materialista desta aproximação o inverso se faz como um “nó cego”, caindo em uma “gestação de individualidade”,. Voltando no fazer musical, as crianças, ilustrando em uma improvisação livre com instrumentos rítmicos, como tambor e outros, mostram que não conseguem lidar com um tempo cíclico ou constante, ou seja, cada hora faz uma batida diferente, afastando de uma objetividade musical, a qual possa dar condições do outro acompanhar. Sendo assim se generaliza no grupo sintetizando a individualidade alheia, isto é, cada criança no seu ritmo insiste em um volume alto, tocando com intensa força a ponto de quebrar o material usado, e, cada uma em tempo diferente, porém com uma similaridade, a necessidade de ser notada, dentro de um contexto musical caótico, este sendo como uma extensão da interioridade de cada criança, que se parece muito com o trânsito de São Paulo em hora de pico, e que por mais que estejam na pequena Sacramento, musicalmente recebe determinada realidade e “normalidade”, a pressa em chegar a um determinado ponto, a necessidade de ser notada, principalmente sonoramente, onde da fraqueza ela estende em força e ansiedade. E no momento que são tolhidas pelo adulto, a repressão sofrida é como se fosse o som que a criança faz sonoramente é uma alta rotulação, configurando assim que ela é em profundidade a ansiedade ou a harmonia daquele que o educa. Não quero agredir ou punir nenhum dos lados, mas realmente vejo que estamos cada vez mais em sintonia, em uma cadeia onde os sentimentos nos mostram como realmente lidamos com determinada situação, seja no contexto caótico ou harmonioso. “Como disse Paulo Freire que a partir do momento que tento ensinar estou tirando a oportunidade do outro aprender”

“O dia do por do sol e o nascer da lua, na noite de olhar sereno contato e acolhimento, me mostra que encontro no abraço amigo o toque pacífico e corajoso”

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